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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Perturbação espiritual

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 3: Da Volta à Vida Espiritual

Obreiros da Vida Eterna: capa antiga (esq.) e a atual
No post anterior, usei um trecho do livro Obreiros da Vida Eterna, psicografado por Chico Xavier, no qual o espírito André Luiz conta o trabalho feito pelos bons espíritos para ajudar no desencarne de quatro pessoas. Tenho que retomar essa obra neste post... não é por falta de livros que nos esclareçam, mas é porque esses exemplos citados e estudados por André Luiz são simplesmente insubstituíveis (quer dizer, na minha opinião de estudante do tema!!!)

Como este intertítulo de O Livro dos Espíritos tem apenas 3 questões, vou colocar alguns trecho de Obreiros da Vida Eterna para ilustrar as explicações dadas a Kardec pelos espíritos mentores.

Na questão sobre a consciência que o espírito tem ao deixar o corpo (nº 163), lembro de um caso observado por André Luiz, quando ele estava em um cemitério, no capítulo 15, Aprendendo sempre:

Figura do Projeto Imagem
Impressionado com os soluços que ouvia em sepulcro próximo, fui irresistivelmente levado a fazer uma observação direta. Sentada sobre a terra fofa, Infeliz mulher desencarnada, aparentando trinta e seis anos, aproximadamente, mergulhava a cabeça nas mãos, lastimando­se em
tom comovedor. Compadecido, toquei-­lhe a espádua e interroguei
— Que sente, minha irmã?
— Que sinto? —  gritou  ela, fixando em mim grandes olhos de louca —  Não sabe? Oh! O senhor chama­-me irmã... Quem sabe me auxiliará para que minha consciência torne a si mesma? Se é possível, ajude-­me, por piedade!  Não sei diferençar  o real do ilusório... Conduziram-­me à casa de saúde e entrei neste pesadelo que o senhor está vendo. Tentava erguer­-se, debalde, e implorava, estendendo-­me as mãos: —  Cavalheiro, preciso regressar!  Conduza-­me, por favor, à minha residência! Preciso retornar ao meu esposo e ao meu filhinho!... Se este pesadelo se prolongar, sou capaz de morrer!... Acorde-­me, acorde-­me!...
— Pobre criatura! — exclamei, distraído de toda a curiosidade, em face da compaixão que o triste quadro provocava — Ignora que seu corpo voltou ao leito de cinzas! Não poderá ser útil ao esposo e ao filhinho, em semelhantes condições de desespero.
Olhou-­me, angustiada, como a desfazer-­se em ataque de revolta inútil. Mas, antes que explodisse em rugidos de dor, acrescentei:
— Já orou, minha amiga? Já se lembrou da Providência Divina?
—  Quero um médico, depressa!  Só ouço padres! —  bradou  irritadiça —  Não posso morrer... Despertem-­me! Despertem-­me!...
— Jesus é nosso Médico Infalível — tornei — e indico-­lhe a oração como remédio providencial para que Ele a assista e cure. A infeliz, entretanto, parecia distanciada de qualquer noção de espiritualidade. Tentando agarrar-­me com as mãos cheias de manchas estranhas, embora não me alcançasse, gritou estentoricamente:
—  Chamem meu  marido!  Não suporto mais!  Estou  apodrecendo!... Oh!  Quem me despertará?
[...]
Fitei a infeliz e expus meu propósito de auxiliá-­la.
—  É inútil —  esclareceu  o prestimoso guarda, equilibrado nos conhecimentos de justiça e seguro na prática, pelo convívio diário com a dor —, nossa desventurada irmã permanece sob alta desordem emocional. Completamente louca. Viveu trinta e poucos anos na carne, absolutamente distraída dos problemas espirituais que nos dizem respeito. Gozou, à saciedade, na taça da vida física. Após feliz casamento, realizado sem qualquer preparo de ordem moral, contraiu gravidez, situação esta que lhe mereceu  menosprezo  integral. Comparava o fenômeno  orgânico em que se encontrava a ocorrências comuns, e, acentuando extravagâncias, por demonstrar falsa superioridade, precipitou-­se em condições fatais. Chamada ao testemunho edificante da abelha operosa, na colméia do lar, preferiu a posição da borboleta volúvel, sequiosa de novidades efêmeras, O resultado foi funesto. Findo o  parto difícil, sobrevieram infecções e febre maligna, aniquilando-­lhe o organismo. Soubemos que, nos últimos instantes, os vagidos do filhinho tenro despertaram-­lhe os instintos de mãe e a infortunada combateu ferozmente com a morte, mas foi tarde. Jungida aos despojos por conveniência dela própria, tem primado aqui pela inconformação. Vários amigos visitadores, em custosa tarefa de benefício aos recém­-desencarnados, têm vindo à necrópole, tentando libertá­-la. A pobrezinha, porém, após atravessar existências de sólido materialismo, não sabe assumir a menor  atitude favorável ao estado receptivo do auxilio superior. Exige que o cadáver se reavive e supõe-­se em atroz pesadelo, quando nada mais faz senão agravar  a desesperação.

Seguindo o Livro dos Espíritos, na questão 164 fica o esclarecimento sobre os graus de perturbação espiritual. Neste trecho, André Luiz descreve as condições de dois espíritos que desencarnaram há pouco tempo e estão em recuperação na Casa Transitória (capítulo 17, Rogativa singular):

Enquanto Dimas se restaurava paulatinamente, Fábio cobrava forças de modo  notavelmente rápido. Os longos e difíceis exercícios de espiritualidade superior, levados a efeito na Crosta, frutificavam, agora, em bênçãos de serenidade e compreensão. Ambos repousavam, na Casa Transitória, amparados pela simpatia geral da Instituição que a Irmã Zenóbia dirigia. Ao mesmo tempo, prosseguíamos em constante cuidado, junto aos demais amigos, principalmente ao pé de Cavalcante, cuja situação orgânica piorava sempre, nas vizinhanças do fim.

Dimas, com o exemplo de Fábio, criara novo ânimo. Reagia, com mais calor, perante as exigências da família terrena e consolidava a serenidade própria, com a precisa eficiência. O ex­-tuberculoso [Fábio], iluminado e feliz, notava que outros horizontes se lhe abriam ao espírito sensível e bondoso. Podia levantar-­se à vontade, transitar nas diversas secções em que se subdividiam os trabalhos do instituto e dava gosto vê-­lo interessado nos estudos referentes aos planos elevados do Universo sem fim. Experimentava tranqüilidade. Não era um gênio das alturas, não completara suas necessidades de sabedoria e amor; entretanto, era servo distinto, em posição invejável pelos débitos pagos e pela venturosa possibilidade de prosseguir a caminho de altos e gloriosos cumes do conhecimento. A Irmã Zenóbia dava-­se ao  prazer de ouvi-­lo, nos rápidos minutos de lazer, e, freqüentemente, manifestava a Jerônimo suas agradáveis impressões a respeito dele.

Mas acredito que a leitura de todos os exemplos registrados no post mostram bem essa diferença da perturbação que se dá, de espírito para espírito. Afinal, cada um de nós têm graus diferentes de compreensão, evolução, merecimento...

E a última questão é sobre a duração da perturbação e se o conhecimento do Espiritismo tem alguma influência sobre esse estado da alma. Na obra que estamos analisando é o próprio instrutor, o assistente Jerônimo, quem responde:

Figura do Projeto Imagem
[...] em verdade, mostrava-­se Dimas em lastimável abatimento. Apesar da fé que lhe aquecia o espírito, as saudades do lar infundiam-­lhe inexprimível angústia. Às vezes, finda a conversação serena em que se revelava calmo e seguro nas palavras, punha-­se a gemer doridamente, chamando a esposa e os filhos, inquieto. Em tais momentos, tornava aos sintomas da moléstia que lhe vitimara o corpo denso e, com dificuldade, conseguíamos subtraí­-lo  à estranha psicose, fazendo-­o regressar  à posição normal. Tentava desvencilhar-­se de nossa influência amiga, como se houvera enlouquecido repentinamente, no  propósito de fugir sem rumo certo. Gritava, gesticulava, afligia-­se, como sonâmbulo inconsciente.

Não pude dissimular  a surpresa que me assaltou  diante da ocorrência. Se estivéssemos tratando com criatura alheia aos serviços da espiritualidade superior, compreensível seria o quadro que se desenrolava aos nossos olhos; mas Dimas fora instrumento dedicado do Espiritismo evangélico, consagrara a existência às benditas realizações da consoladora doutrina do túmulo vazio pela vida eterna. De antemão, sabia na esfera carnal que seria submetido às lições da morte e que não lhe faltariam ricas possibilidades de continuar junto da parentela, já dele separada, aparentemente, segundo  o simples ponto de vista material. Porque semelhantes distúrbios? Não  merecera ele excepcional atenção de nossos superiores hierárquicos?

Vali-­me de momento adequado e expus ao nosso dirigente as indagações que me absorviam o raciocínio. Sem qualquer nota admirativa, Jerônimo respondeu­  me, bem humorado:
— Você deve saber, André, que cada qual de nós é, por si mesmo, todo um mundo. Esclarecimentos e consolações são dádivas de Deus, Nosso Pai, mas convicções e realizações constituem obra nossa. Cada servidor tem a escala própria de edificações, na tábua de valores imortais. A assembléia de aprendizes receberá a mesma bagagem de ensinamentos, de modo  geral, organizada para todos os indivíduos que a integram. Diferenciam-­se, porém, os alunos, na série do  aproveitamento particular, O mérito não é patrimônio comum, embora seja a glória do cume, a desafiar todos os caminheiros da vida para a suprema elevação. Dimas foi destacado discípulo do Evangelho, principalmente no  setor de assistência e difusão, mas, quanto a si mesmo, não fez aproveitamento integral das lições recebidas. Espalhou as sementes da luz e da verdade, dedicou-­se largamente à causa do bem, merecendo, por isso mesmo, socorro especialíssimo. Contudo, no campo  particular, não se preparou  suficientemente. Qual ocorre à maioria dos homens, prendeu­-se demasiadamente às teias domésticas, sem maior entendimento. Conferiu  excessivo carinho à roda familiar, sem noção de eqüidade, no caminho terrestre. Certamente, sob o ponto de vista humano, consagrou-­se o necessário à companheira e aos rebentos do lar; mas, se lhes prodigalizou muita ternura, não lhes proporcionou todo o  esclarecimento de que dispunha, libertando-­os da esfera pesada de incompreensão. E agora, muito naturalmente, sofre-­lhes o assédio. A inquietude dos parentes atinge-­o, através dos fios invisíveis da sintonia magnética.
Figura do Projeto Imagem

Sorriu, benévolo e continuou:
— Nosso irmão, inegavelmente, fez por merecer o auxilio de nosso plano, pois conseguiu  enfileirar amigos prestigiosos que lhe dedicam valiosos serviços intercessórios, mas não se preparou, interiormente, considerando-­se as necessidades do desapego  construtivo. Gastará, desse modo, alguns dias para edificar  a resistência

O ensinamento significava muito para mim, que via tão dedicado servidor, cercado da mais honrosa consideração, por parte das autoridades de nosso plano, em porfiada luta consigo mesmo para restaurar seu próprio equilíbrio. E conclui, mais uma vez, que o  amor pode improvisar infinitos recursos de assistência e carinho, acordando faculdades superiores do Espírito, mas que a lei divina é sempre a mesma para todos. O obséquio é ofício sublime, no culto ativo da cooperação fraterna; todavia, cada homem, por si, elevar-­se-­á ao céu ou descerá aos Infernos transitórios, em obediência às disposições mentais em que se prende.

Em resposta a esta mesma pergunta, também quero deixar um trecho do livro que fala sobre um outro caso de desencarnação que estava sendo acompanhado pelo grupo:

Transcorridos escassos minutos, ganhávamos o pórtico de notável, simples e confortável edifício, em que se asilavam numerosas criancinhas, em nome de Jesus. Tratava-­se de louvável instituição espiritista-­cristã, onde se sediava compacta legião de trabalhadores de nosso plano. Bondoso ancião recebeu-­nos afavelmente. Reconheci­o, jubiloso. Achava­  se, ali, Bezerra de Menezes. o dedicado irmão dos que sofrem. Abraçou­-nos, um a um, com espontânea jovialidade. Ouviu as explicações de Jerônimo, com interesse, e falou, sorridente:
— Já esperávamos a comissão. Felizmente, porém, nossa querida Adelaide não dará trabalho. O ministério mediúnico, o serviço incessante em benefício dos enfermos, o  amparo materno aos órfãos nesta casa de paz, aliados aos profundos desgostos e duras pedradas que constituem abençoado ônus das missões do bem, prepararam-­lhe a alma para esta hora... 

Figura do Projeto Imagem
Ele mesmo tomou­-nos a dianteira, conduzindo-­nos a compartimento  modesto, onde a médium repousava. Na câmara solitária, não se via nenhum irmão encarnado; contudo, duas
jovens cercadas de prateada luz permaneciam ali, acariciando­a. Acercamo-­nos da enferma, respeitosamente. Seus cabelos grisalhos
semelhavam-­se a formosos fios de neve. Indicando-­a, falou Bezerra, contente:
— Adelaide sempre foi leal discípula do Mestre dos Mestres. Apesar das dificuldades, dos espinhos e aflições, perseverou até ao fim.
A digna senhora, após olhar demoradamente delicados ramos de rosas que lhe ornavam o quarto, entrou em oração. De sua mente equilibrada, emanavam raios brilhantes. Não nos enxergou ao seu lado, exceção do devotado Bezerra de Menezes, a quem se unia por sublimes cadeias do coração. Ele saudou-­a, afável e bondoso, endereçando-­lhe palavras reconfortantes e carinhosas.
— Sei que é o termo da jornada, meu venerável amigo — disse a médium, em tom comovedor —, e estou pronta. Desde muitos anos, rogo ao Divino Senhor  me revele o caminho. Não desejo adotar outros desígnios que não pertençam a Ele, nosso Salvador. Todavia... Não pôde continuar. Emoção profunda estrangulara-­lhe a voz e, logo após a reticência dolorida, copioso pranto começou a brotar-­lhe dos olhos encovados.
[...]
A denodada batalhadora, agora liberta, esquivou­-se gentilmente ao convite para a partida imediata. Esperou  a inumação dos despojos, consolando amigos e recebendo consolações. Depois de orar, fervorosamente, no último pouso das células exaustas, agradecendo-­lhes o  precioso  concurso nos abençoados anos de permanência na Crosta, Adelaide, serena e confiante, cercada de numerosos Amigos, partiu, em nossa companhia, a caminho da Casa Transitória, ponto de referência sentimental da grande caravana afetiva...


Com todos esses exemplos dados por André Luiz, fica mais fácil compreender, não é mesmo? Para finalizar, quero dizer que as figuras produzidas pelo Projeto Imagem são maravilhosas. Para quem não conhece, visite o site deles: http://www.projetoimagem.com.br. Retirei boa parte das figuras desse site e também de uma palestra no You Tube, que trata do livro Obreiros da Vida Eterna (http://www.youtube.com/watch?v=NjEJVqPAeoc) e também de um centro espírita (que não conheço, mas que vale visitar o site): http://casaespiritaeuripedesbarsanulfo.wordpress.com/evangelizacao-pratica/.

Por hoje é isso. Até a próxima!



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Separação da alma e do corpo


Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 3: Da Volta à Vida Espiritual


Antes de entrar no tema de hoje, acho importante a leitura de um artigo que encontrei na Revista Espírita, de maio de 1859, intitulado "Ligação entre o espírito e o corpo" (pags. 193 a 195). Nele, Allan Kardec analisa dois depoimentos de pessoas que que falam sobre a ligação entre corpo e espírito, o cordão fluídico que faz essa ligação - também chamado por muitos espiritualistas de cordão de prata, como já li nos autores Charles Leadbeater e Annie Besant.

Revista espírita: ontem...

A senhora Schutz, uma de nossas amigas, que é perfeitamente deste mundo, e não parece dever deixá-lo tão cedo, tendo sido evocada durante seu sono, mais de uma vez, nos deu a prova da perspicácia de seu Espírito nesse estado. Um dia, ou melhor uma noite, depois de uma conversa bem longa, ela disse: Estou fatigada; tenho necessidade de repouso; eu durmo; meu corpo dele tem necessidade.

Sobre isso se lhe fez esta pergunta: Vosso corpo pode repousar; falando-vos, eu não o altero; é vosso Espírito que está aqui, e não o vosso corpo; podeis, pois, conversar comigo, sem que este sofra com isso. Ela respondeu:
"Estais errado crendo isso; meu Espírito se desliga bem pouco do meu corpo, mas é como um balão cativo retido por cordas. Quando o balão recebe os abalos ocasionais pelo vento, o 
poste que o mantém cativo sente a comoção dos abalos transmitidos pela amarração. Meu corpo está no lugar do poste, com a diferença que ele experimenta sensações desconhecidas ao poste, e que essas sensações cansam muito o cérebro; eis porque meu corpo, como meu Espírito, têm necessidade de repouso."

Esta explicação, na qual nos declarou que, durante a vigília, ela não havia jamais sonhado, 
mostra perfeitamente as relações que existem entre o corpo e o Espírito, quando este último 
goza de uma parte de sua liberdade. Sabemos muito bem que a separação absoluta não 
ocorre senão depois da morte, e mesmo algum tempo depois da morte, mas essa ligação não 
nos fora pintada com uma imagem tão clara e tão surpreendente; também felicitamos 
sinceramente essa senhora por tanto espírito que tinha enquanto dormia. Isso, todavia, não 
nos pareceria senão uma engenhosa comparação, quando recentemente essa figura tomou 
proporção de realidade.

... e hoje.
O senhor R..., antigo ministro residente nos Estados Unidos, junto ao rei de Nápoles, homem muito esclarecido sobre o Espiritismo, vindo nos ver, perguntou-nos se, nos fenômenos de aparição, nunca havíamos observado uma particularidade distintiva entre o Espírito de uma pessoa viva e o de uma pessoa morta; em uma palavra, se. quando um Espírito aparece espontaneamente, seja durante a vigília, seja durante o sono, temos um meio de reconhecer se a pessoa está morta ou viva. Sobre nossa resposta de que disso não conhecemos além do que perguntá-lo ao Espírito, ele nos disse conhecer na Inglaterra um médium vidente, dotado de um grande poder, que, cada vez que o Espírito de uma pessoa viva se apresentava a ele, notava um rastro luminoso, partindo do peito, atravessar o espaço sem ser interrompido pelos obstáculos materiais, e indo chegar ao corpo, espécie de cordão umbilical, que une as duas partes momentaneamente separadas do ser vivo. Ele jamais notou quando a vida corpórea não existe mais, e é por esse sinal que reconhece se o Espírito é de uma pessoa morta ou ainda viva.

A comparação da senhora Schutz nos veio ao pensamento, e dela encontramos a confirmação do fato que acabamos de narrar. Faremos, todavia, uma nota a esse respeito.

Sabe-se que no momento da morte a separação não é brusca; o perispírito não se desliga senão pouco a pouco, e enquanto dure a perturbação, ele conserva uma certa afinidade com o corpo. Não seria possível que o laço observado pelo médium vidente, do qual acabamos de falar, subsistisse ainda quando o Espírito aparece no próprio momento da morte, ou poucos instantes depois, como isso ocorre freqüentemente? Nesse caso, a presença desse cordão não seria um indício de que a pessoa está viva. O senhor R... não pôde nos dizer se o médium fez essa anotação. Em todos os casos, a observação não é menos importante, e lança uma nova luz sobre isso que podemos chamar a fisiologia dos Espíritos.

Com esses esclarecimentos sobre como a alma é ligada ao corpo físico, já dá para entender que no momento da morte/desencarnação, é preciso que essas ligações fluídicas sejam desconectadas. 

No livro Obreiros da Vida Eterna, da coleção de livros ditados pelo espírito André Luiz a Chico Xavier, são descritos quatro casos de desencarnação. Recomendo a leitura de todas (ou melhor, do livro inteiro, que é fantástico!!!), mas vou deixar aqui registrado trechos referentes ao personagem Dimas, para ilustrar os ensinamentos que lemos em O Livros dos Espíritos.

As Moiras (ou Parcas, para os romanos) eram três irmãs
que detinham nas mãos o destino de homens e deuses.
— Noutro tempo, André, os antigos acreditavam que entidades mitológicas cortavam os fios da vida humana. Nós somos Parcas autênticas, efetuando  semelhante operação... E porque eu indagasse, tímido, por onde iríamos começar, explicou­me o  orientador: —  Segundo você sabe, há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, mais importante por excelência, situado no cérebro.
[...]
Aconselhando­me cautela na ministração de energias magnéticas à mente do  moribundo, começou  a operar sobre o plexo  solar, desatando laços que localizavam forças físicas. Com espanto, notei que certa porção de substância leitosa extravasava do  umbigo, pairando em torno. Esticaram­se os membros inferiores, com sintomas de esfriamento.
[...]
Jerônimo, com passes concentrados sobre o tórax, relaxou  os elos que mantinham a coesão celular no centro emotivo, operando sobre determinado ponto do  coração, que passou a funcionar como bomba mecânica, desreguladamente. Nova cota de substância desprendia-­se do corpo, do epigastro à garganta
[...]
Alcançáramos o coma, em boas condições. O Assistente estabeleceu reduzido tempo de descanso, mas volveu a intervir  no  cérebro. Era a última etapa. Concentrando todo o seu  potencial de energia na fossa romboidal, Jerônimo quebrou  alguma coisa que não pude perceber com 
minúcias, e brilhante chama violeta-­dourada desligou­-se da região craniana, absorvendo, instantaneamente, a vasta porção de substância leitosa já exteriorizada.
[...]

Dimas­-desencarnado  elevou-­se alguns palmos acima de Dimas-­cadáver, apenas ligado ao corpo através de leve cordão prateado, semelhante a sutil elástico, entre o cérebro de matéria densa, abandonado, e o cérebro de matéria rarefeita do  organismo liberto.
[...]
Para os nossos amigos encarnados, Dimas morrera, inteiramente. Para nós outros, porém, a operação era ainda incompleta. O Assistente deliberou que o cordão fluídico deveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do  “morto”, ainda imperfeitamente preparado para desenlace mais rápido.


Já no livro Amanhece, ditado pelo Espírito Emmanuel a Chico Xavier, estão 3 mensagens referentes a este trecho de O Livro dos Espíritos que estamos estudando, mais especificamente às questões 155 e 156. São excelentes ensinamentos, além lindas mensagens de consolação.







Joanna de Angelis, por intermédio de Divaldo Franco, também fez seus comentários sobre o assunto (questão 155), no livro Momentos de Consciência (abaixo):

Momentos de consciência cap 9 from estudandooLE



E para encerrar o estudo de hoje, Divaldo fala do início da sua mediunidades e da desencarnação da mãe. O vídeo é um pouco longo (quase 30 minutos), mas é muito bom. E é muito esclarecedor o que ele conta quando a mãe dele deixou o corpo, já que a sua mediunidade maravilhosa permitiu que ele acompanhasse todo o processo. Ao mesmo tempo fico pensando como deve ter sido difícil esse momento para ele... É isso. Nos vemos no próximo post!




domingo, 10 de março de 2013

A alma após a morte

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 3: Da Volta à Vida Espiritual

Quando eu era adolescente e lia muitos livros espiritualistas, uma questão sempre me intrigava: sermos absorvidos pelo Todo Universal. E, na minha imaginação, eu tentava entender como seria perder a individualidade... se fosse assim, isso seria como o nada! Pena que eu não li este capítulo do Livro  dos Espíritos antes... teria me poupado de muitas noites de insônia!!!

No livro Depois da Morte, Leon Denis ainda esclarece esta questão quando disserta sobre o Budismo, no capítulo 2, Índia:

O ser aprende a abraçar num mesmo amor tudo o que vive e respira; e isto nada mais é que um dos degraus da sua evolução, pois esta deve conduzi-lo a só amar o eterno princípio de que emana todo o amor, e para onde todo ele deve necessariamente voltar. Esse estado é o do Nirvana.

Essa expressão, diversamente comentada, tem causado muitos equívocos. Em conformidade com a doutrina secreta do Budismo, o Nirvana não é, como ensina a Igreja do Sul e o Grã-Sacerdote do Ceilão, a perda da individualidade e o esvaecimento do ser no nada, mas sim a conquista, pela alma, da perfeição, e a libertação definitiva das transmigrações e dos renascimentos no seio das humanidades. Cada qual executa o seu próprio destino. A vida presente, com suas alegrias e dores, não é senão a conseqüência das boas ou más ações operadas livremente pelo ser nas existências anteriores. 



Ainda falando sobre a individualidade, deixo mais dois comentários de Leon Denis, que retirei do livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor:

A alma é imortal, porque o nada não existe e coisa alguma pode ser aniquilada, nenhuma 
individualidade pode deixar de ser. A dissolução das formas materiais prova simplesmente 
uma coisa: que a alma é separada do organismo por meio do qual comunicava com o meio 
terrestre. Não deixa, por esse fato, de prosseguir a sua evolução em novas condições, sob 
formas mais perfeitas e sem nada perder da sua identidade. De cada vez que ela abandona o 
seu corpo terrestre, encontra-se novamente na vida do espaço, unida ao seu corpo espiritual, 
do qual é inseparável, à forma imponderável que para si preparou com os seus pensamentos 
e obras. (Capítulo III - O problema do Ser)

O perispírito, durante o período de gestação, impregna-se de fluido vital e materializa-se 
o bastante para tornar-se o regulador da energia e o suporte dos elementos fornecidos pelos 
genitores; constitui, assim, uma espécie de esboço, de rede fluídica permanente, através da 
qual passará a corrente de matéria que destrói e reconstitui sem cessar, durante a vida, o 
organismo terrestre; será a armação invisível que sustenta interiormente a estátua humana. 
Graças a ele, a individualidade e a memória conservar-se-ão no plano físico, apesar das 
vicissitudes da parte mutável e móvel do ser, e assegurarão, do mesmo modo, a lembrança 
dos fatos da existência presente, recordações cujo encadeamento, do berço à cova, fornece-nos a certeza íntima da nossa identidade. (Capítulo XIII - As vidas sucessivas / A reencarnação e suas leis)



Emmanuel, no livro O Consolador, tem um capítulo especial sobre a vida depois da morte: Transição. Dele escolhi uma das explicações sobre o tema: 

147 – Proporciona a morte mudanças inesperadas e certas modificações rápidas, como será de desejar?
A morte não prodigaliza estados miraculosos para a nossa consciência. Desencarnar é mudar  de plano, como  alguém que se transferisse de uma cidade para outra, aí no mundo, sem que o fato lhe altere as enfermidades ou  as virtudes com a simples modificação  dos aspectos exteriores. Importa observar  apenas a ampliação desses aspectos, comparando-­se o plano terrestre com a esfera de ação dos desencarnados.
Imaginai um homem que passa de sua aldeia para uma metrópole moderna. Como se haverá, na hipótese de não se encontrar  devidamente preparado em face dos imperativos da sua nova vida? A comparação é pobre, mas serve para esclarecer que a morte não é um salto dentro da Natureza. A alma prosseguirá na sua carreira evolutiva, sem milagres prodigiosos. Os dois planos, visível e invisível, se interpenetram no mundo, e se a criatura humana é incapaz de perceber o plano da vida imaterial, é que o seu  sensório está habilitado somente a certas percepções, sem que lhe seja possível, por  enquanto, ultrapassar a janela estreita dos cinco sentidos. 


E não podia deixar de lado o comentário do Espírito Miramez, na psicografia de João Nunes Maia, sobre o que acontece com os espíritos depois da morte. O trecho abaixo refere-se à questão 149, de O Livro dos Espíritos, e pode ser encontrado, na íntegra, no livro Filosofia Espírita vol. III:
O ESPÍRITO DEPOIS DA MORTE 
A alma, depois da morte, volta ao plano espiritual de onde veio. É como se estivesse internada em uma universidade, em contínuo aprendizado e, ao terminar o curso, voltasse ao campo de trabalho maior, a fim de se sentir mais livre no exercício das suas obrigações. 
A carne é uma benção de Deus, que nos compete aproveitar como sendo experiências valiosas. Quem despreza essa oportunidade no mundo, é tomado de arrependimento constrangedor e busca a sua volta nas lides humanas com redobrados deveres para aliviar o fardo; a vida. Em se comparando com a eternidade da alma, o corpo humano é uma prisão-escola, onde as faculdades estão abafadas, senão oprimidas, dependendo de esforço próprio para que se inicie a libertação, na luz do tempo e nas bênçãos de Deus.  
[...]
O Espírito encarnado deve meditar sempre que possa, no mundo espiritual, nas comunicações dos Espíritos com os homens e na reencarnação, pois, o estudo dessa filosofia grandiosa irá abrindo caminhos para novos conhecimentos da verdade. 
Em outros posts, referi a essa séria de documentários - Through the Whormhole -, que tenho gostado muito. Um deles tem o título de "A Vida após a morte" e está no YouTube. Compartilho o link aqui e recomendo. Quem não tiver tempo de assistir o episódio inteiro (dura cerca de 45 minutos), veja os primeiros 10 minutos: é o depoimento de um professor de Neurocirurgia da Universidade de Harvard, que entrou em coma devido a meningite e teve uma experiência de 'quase morte'. Vale muito (ah, é com legendas!!!):


E para encerrar, deixo uma parte de uma historinha com o Penadinho, personagem do Maurício de Sousa. Sempre fui fã do Maurício, desde os meus 7 anos. Mas quando eu era criança, não tinha esses temas, não!!! Veja como é a evolução: assuntos como imortalidade e vida após a morte tratados em gibis! Nao é demais??? Para ler a estorinha completa, clique aqui para entrar no site da Turma da Mônica. E até nosso próximo encontro...