segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Idéias inatas

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 4: Da Pluralidade das Existências


O tema deste item, as lembranças / aptidões que trazemos de existências anteriores, é bastante empolgante. Muitas vezes nos deparamos com o noticiário de crianças e jovens que são considerados gênios e logo pensamos: "Como é que pode essa criancinha ser assim inteligente?" Como explicaram os espíritos a Allan Kardec, a resposta é mais simples do que parece quando levamos em conta a Lei da Reencarnação.

No livro O Consolador, Emmanuel (por meio de Chico Xavier) começa a esclarecer esse assunto na pergunta número 37, que está no subtítulo Biologia:



























A vocação, portanto, é um atributo espiritual, como explica Emmanuel e isto complementa os ensinamentos da espiritualidade em O Livro dos Espíritos, que afirmam que o conhecimento adquiridos em vidas anteriores não se perde. Aliás, quem se interessar por dar uma olhada no primeiro capítulo do livro O Consolador, pode clicar aqui ou acessar o endereço a seguir para baixar o material em PDF... é uma degustação que o site da Livraria FEB oferece: http://www.feblivraria.com.br/febnet/paginas/oconsolador.pdf.

E essas 'lembranças', por vezes, são fortes... a seguir um exemplo disso, publicado pela Revista Reformador:



Mas estas recordações ou vocações que o espírito traz nem sempre são boas. Afinal, nosso planeta (e a humanidade) ainda está em uma faixa de provas e expiações. Além disso, os espíritos que chegam à Terra, para uma nova experiência, precisam da orientação e educação dos pais para conseguirem cumprir seus objetivos nesta vida e progredirem espiritualmente. São estas questões fundamentais que trazem as orientações de Emmanuel, desta vez no livro Religião dos Espíritos, no capítulo denominado "Os Jovens", que é um comentário da questão nº 218 de O Livro dos Espíritos:

 


Outro exemplo das idéias inatas está registrado no livro Ação e Reação, da série de livros ditados por André Luiz ao médium Chico Xavier. Abaixo, um trecho do capítulo 10 ('Entendimento'), em que um dos mentores espirituais, Silas, narra uma vida anterior, em que foi médico, mas falhou... e agora ele retomaria a experiência:

Decerto, para conhecer-lhes naturalmente as esperanças, reportou-se aos próprios anseios, quanto aos trabalhos médicos do futuro. Não pretendia perder tempo. Tinha agora a sede de aprender e servir, para demandar o campo humano com os melhores valores do espírito, que se lhe exprimiriam na mente, quando encarnado, em forma de tendência e facilidade na chamada“vocação inata”. (p. 132)
E, para encerrar, quero deixar aqui três vídeos que estão disponíveis no YouTube e que já 'bombaram' na rede. O que chamou a minha atenção nestes pianistas mirins são o gestos, a movimentação do corpo enquanto eles tocam... por mais que a criança aprenda a tocar piano, esses gestos não são aprendidos!!! 






Já esta menina é pintora e poetisa... e começa a se dedicar à música:

Por hoje, é isso! Uma ótima semana e bons estudos pra nós!!!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Parecenças físicas e morais

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 4: Da Pluralidade das Existências

Começando o post de hoje com uma frase do  poeta e escritor português Fernando Pessoa,(13/Junho/1888 a 30/Novembro/1935):





Esse pensamento faz mesmo a gente refletir sobre as questões desse capítulo. O Fernando Pessoa que me desculpe, mas se trocarmos a palavra 'temperamento' por 'espírito', ela faz todo o sentido ao lermos as respostas à questão 207 de O Livro dos Espíritos.

E também temos o comentário de Emmanuel, que por meio de perguntas nos induz a pensar sobre os complicados conceitos das leis e responsabilidades da reencarnação.


Aliás, a responsabilidade dos pais na educação dos filhos é grande, como alerta Geraldo Goulart no artigo abaixo, publicado pela revista Reformador





Sobre esse tema, da educação dos filhos, vou fazer aqui um parêntesis, porque acredito ser esse assunto de extrema importância nos dias em que vivemos. Na Revista Espírita, de Fevereiro de 1864, Alan Kardec relata suas observações a anota suas considerações sobre um fato presenciado por ele. Esse relato está sob o título "Primeiras Lições de Moral da Infância" (p. 59 a p. 62). Aqui vou colocar apenas a parte que nos interessa e faz referências ao estudos de hoje, mas o texto inteiro está disponível no site da FEB (clique aqui para ler o texto inteiro da Revista Espírita, edição de fevereiro de 1864):

"De todas as chagas morais da sociedade, o egoísmo parece a mais difícil de extirpar. Com efeito, ela o é tanto mais quanto mais alimentada pelos mesmos hábitos da educação. Tem-se a impressão que, desde o berço, a gente se esforça para excitar certas paixões que, mais tarde, se tornam uma segunda natureza, e nos admiramos dos vícios da sociedade, quando as crianças os sugam com o leite. Eis um exemplo que, como cada um pode julgar, pertence mais à regra do que à exceção.

Numa família de nosso conhecimento há uma menina de quatro a cinco anos, de rara inteligência, mas que tem os pequenos defeitos das crianças mimadas, ou seja, é um pouco caprichosa, chorona, teimosa, e nem sempre agradece quando lhe dão alguma coisa, o que os pais levam a peito corrigir, porque, fora desses pequenos defeitos, segundo eles, ela tem um coração de ouro, expressão consagrada. Vejamos como eles agem para lhe tirar essas pequenas manchas e conservar o ouro em sua pureza.

Certo dia trouxeram um doce à criança e, como de costume, lhe disseram: “Tu o comerás, se fores ajuizada.” Primeira lição de gulodice. Quantas vezes, à mesa, não acontece dizerem a uma criança que não comerá tal guloseima se chorar. Dizem: “Faze isto ou faze aquilo e terás creme”, ou qualquer outra coisa que lhe apeteça; e a criança é constrangida, não pela razão, mas tendo em vista a satisfação de um desejo sensual que incentivam. 

[...]

Como não levou em consideração a ameaça, sabendo por experiência que raramente a executavam, desta vez os pais foram mais firmes, pois compreenderam a necessidade de dominar esse pequeno caráter, e não esperar que a idade lhe tivesse feito adquirir um mau hábito. Diziam que é preciso formar as crianças desde cedo, máxima muita sábia e, para a pôr em prática, eis o que fizeram: “Eu te prometo – disse a mãe – que se não obedeceres, amanhã cedo darei o teu bolo à primeira criança pobre que passar.”

Dito e feito. Desta vez não cederam e lhe deram uma boa lição. Assim, no dia seguinte de manhã, tendo sido avistada uma pequena mendiga na rua, fizeram-na entrar, obrigaram a filha a toma-la pela mão e ela mesma lhe dar o seu bolo. Acerca disto elogiaram a sua docilidade. Moralidade: a filha disse: Se eu soubesse disto teria tido pressa em comer o bolo ontem.” E todos aplaudiram esta resposta espirituosa. Com efeito, a criança tinha recebido uma forte lição, mas lição de puro egoísmo, da qual não deixará de aproveitar outra vez, pois agora sabe o que custa a generosidade forçada. 

Resta saber que frutos dará mais tarde esta semente, quando, com mais idade, a criança fizer aplicação dessa moral em coisas mais sérias que um bolo. Sabem-se todos os pensamentos que este único fato pode ter feito germinar nessa cabecinha? Depois disto, como querem que uma criança não seja egoísta quando, em vez de nela despertar o prazer de dar e de lhe representar a felicidade de quem recebe, impõe-lhe um sacrifício como punição? Não é inspirar aversão ao ato de dar e àqueles que têm necessidade?

[...]

Assim, por pouco que aí se ache o germe das más paixões, o que é o caso mais comum, considerando-se a natureza da maioria dos Espíritos que encarnam na Terra, não pode senão desenvolver-se sob tais influências, ao passo que seria preciso espreitar-lhe os menores traços para os
abafar. Sem dúvida a falta é dos pais; mas, é bom dizer, muitas  vezes estes pecam mais por ignorância do que por má-vontade. Em muitos há, incontestavelmente, uma censurável despreocupação, mas em outros a intenção é boa, é o remédio que nada vale, ou que é mal aplicado. 

Sendo os primeiros médicos da alma de seus filhos, deveriam ser instruídos, não só de seus deveres, mas dos meios de os cumprir."

Mas, voltando às questões, no livro "Astronautas do além", psicografado por Chico Xavier, há comentários de Emmanuel e de J. Herculano Pires sobre as perguntas 209 e 210. Abaixo, o texto ditado por Emmanuel:

(Emmanuel)

O parente que se te instalou no caminho por obstáculo dificilmente transponível…
Abençoa-o e ampara-o, quanto puderes.
As leis de causa e efeito, tanto quanto os princípios de afinidade, não funcionam sem razão.
Observa.
O tempo segue rápido. Criaturas que viste na infância do corpo físico, quase que de improviso se transformaram e renteiam contigo nos caminhos da madureza.
Acontecimentos que rearticulas, a cores vivas, na memória, mostram a idade de muitos lustros.
Assim, no curso do tempo, as existências se intercambiam umas com as outras.
Os companheiros do passado voltam a nós, reclamando o trabalho ou a pacificação, o reajuste ou a assistência que lhes devemos.
Esse coração magoado e sofredor que nos compartilha a estrada do cotidiano na Terra é invariavelmente aquele mesmo espírito que nos fez o credor de maior ternura e mais ampla abnegação.
O filho rebelde, junto do qual te surpreendes hoje, é o irmão a quem prejudicaste ontem, com irreflexões que o atiraram para a teimosia ou para as sugestões de vingança;
a filha menos submissa de agora é a jovem de antigamente em cujo sentimento plantaste desespero e revolta;
o pai enigmático dos dias que correm é o companheiro que escravizaste aos próprios caprichos e de quem, no pretérito, comandavas as horas com violência e tirania;
a genitora dominante é a irmã de outrora que tratavas sob os pés;
o familiar portador de inquietação e de sofrimento é sempre a mesma pessoa que se desequilibrou à conta de nossos erros, em épocas transatas, e que exige reabilitação ao preço de nosso cuidado e devotamento, nas áreas da existência física.

É verdade que isso nem sempre ocorre na pauta de débitos nossos, ante a justiça. O amor, onde surja, sabe sempre trazer a si aqueles a quem se consagra, convertendo empeços e provas em esperanças e alegrias, à feição de Jesus que nos ama desde séculos imemoriais muito antes que o conhecêssemos, e nos sustenta a todos, na Terra, sem dívida alguma para conosco. Ainda assim, recordemos: todo parente difícil é trabalho de amor ou rearmonização que a Divina Providência nos confia, a fim de que tenhamos o privilégio de transfigurá-lo em degrau de serviço e de luz, no rumo de nossa própria sublimação.

Sobre as questões referentes a espíritos unidos, que nascem como irmãos gêmeos, lembrei de um livro que li há muito tempo, de um aprendizado muito grande, mas de uma tragédia muito comovedora. O livro é Párias em Redenção, ditado pelo espírito Victor Hugo ao médium Divaldo Franco. A obra vale muito ser lida, mas no nosso corre-corre diário, às vezes fica difícil. Pensando nisso, deixo aqui uma palestra, do orador Aguinaldo Paula Vasconcelos, que resume a obra. Disponível no YouTube, são 50 minutos que relatam três existências de um grupo espiritual que se liga pelo ódio e pelos crimes e que sofre uma expiação final para aprenderem a se amar. Imperdível!!!


Uma ótima semana a todos! Até mais.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Parentesco, filiação

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 4: Da Pluralidade das Existências

Leon Denis fala claramente sobre a questão da hereditariedade material em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, no capítulo 3 - O problema do ser - dessa completíssima obra:

As propriedades da substância material, transmitidas pelos pais, manifestam-se na 
criança pela semelhança física e pelos males constitucionais; mas a semelhança só persiste, 
quando muito, durante o primeiro período da vida. Desde que o caráter se define, desde que a 
criança se faz homem, vêem-se as feições se modificarem pouco a pouco, ao mesmo tempo 
em que as tendências hereditárias vão diminuindo e dando lugar a outros elementos, que 
constituem uma personalidade diferente, um ser às vezes distinto, pelos gostos, pelas 
qualidades, pelas paixões, de tudo quanto se encontra nos ascendentes. Não é, pois, o 
organismo material o que constitui a personalidade, mas sim o homem interior, o ser 
psíquico. À medida que este se desenvolve e se afirma por sua própria ação na existência, vê-
se a herança física e mental dos pais ir pouco a pouco enfraquecendo e, muitas vezes, 
desaparecer. 

E também temos vários exemplos e ensinamentos vindos de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, no livro Missionários da Luz. Abaixo, um trecho que selecionei do capítulo 12 - Preparação de experiências -, mas o capítulo inteiro mostra situações que podem enriquecer esse trecho estudado em O Livro dos Espíritos (para aumentar o tamanho da figura da página, é só clicar sobre a imagem):


Emmanuel, pela mediunidade de Chico Xavier, deixou uma mensagem sobre estas questões. A mensagem é curtinha e está publicada no Capítulo 7 do livro Nascer e Renascer. Este é um grande exemplo de como se comportam os espíritos elevados: falam pouco, mas o ensinamento é enorme.

EXPIAÇÃO E EVOLUÇÃO

O traje tem o tipo da costura a que se filia, mas a pessoa que o veste nada tem de comum com o sinal da fábrica.

O vaso revela o estilo do oleiro, no entanto, o líquido que carrega, não obstante guardar-lhe a contextura, é de essência diversa.

O corpo, igualmente, traz a marca dos pais que o entretecem na oficina da hereditariedade, todavia, o espírito que o maneja é muito diferente, na constituição psicológica, embora, muitas vezes, lhes comungue as tendências. 

Cada criatura renasce, transportando consigo a herança dos próprios atos.

Regenerações e tarefas que a desencarnação interrompe alcançam recomeço em existência seguinte.

A expiação alinha os quadros de enfermidade e infortúnio que começam do berço e a evolução desdobra realizações e esperanças que se entremostram na meninice.

Justo compreender que há reencarnações, equivalendo a estágios de reajuste e resgate, iniciativa e continuidade, lição e sacrifício, com lutas correspondentes a ministérios e provas, dívidas e créditos, progresso e aperfeiçoamento, recuperação e missão.

A História nos apresenta rapazelhos prodígios, quanto Pascal, escrevendo um tratado das seções cônicas de Euclides, e Mozart, compondo uma ópera, um e outro, antes dos quinze de idade, na experiência física. Hoje como ontem, é possível encontrar, entre menores delinqüentes, as mais avançadas vocações para a crueldade, tanto quanto na rua, legiões de pobres crianças empolgadas no desequilíbrio.

Saibamos iluminar a mente infanto-juvenIl na chama do conhecimento superior.

Infância é o dia que alvorece. Mocidade é o dia em movimento. Educando-nos, para conseguir educar, conduziremos jovens e adultos à edificação do porvir, através da responsabilidade de viver, porque a morte, por escriturária da Justiça Divina, surgirá para cada um.

Já em O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec amplia, com seus comentários, as respostas dadas pelos espíritos mentores às questões 204 e 205 de O Livros dos Espíritos, falando sobre a família espiritual:




Finalmente, o livro Na Era do Espírito possui um comentário feito pelo Irmão Saulo (pseudônimo usado por J. Herculano Pires nesta obra) a respeito das questões estudadas neste trecho de O Livro dos Espíritos, cuja leitura é recomendável para nosso esclarecimento.




E para encerrar, ilustrando a resposta dada aos espíritos para a questão 206, trago uma frase do filósofo e político anglo-irlandês Edmund Burke (12/01/1729 a 9/07/1797). [Detalhe importante: na questão 206, Kardec se refere aos culto aos avoengos. Nunca ouvi essa palavra na minha vida e fui consultar o dicionário. Avoengo quer dizer antepassado! Para quem quiser conferir, usei o dicionário on line Aulete: http://aulete.uol.com.br/avoengo .]



É isso. Por hoje, é só! Até a próxima. E que nós todos tenhamos um ano de 2014 com muita luz!





sábado, 5 de outubro de 2013

Sexos nos espíritos

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 4: Da Pluralidade das Existências



Na Revista Espírita, que foi editada por Allan Kardec a partir de 1858 (e até sua morte, em 1869) é uma excelente fonte de informações. Alguns textos publicados nela, podemos encontrar nos livros da codificação. Por isso, gosto de recorrer aos seus volumes para estudar assuntos sérios e importantes do Espiritismo. E neste trabalho de divulgação da Doutrina Espírita, a Federação Espírita Brasileira (FEB) fez um excelente trabalho ao disponibilizar, on line, todos os volumes dessa importante obra (além disso, é possível baixar todas as edições da Revista Espírita, encadernada por ano, já que a edição era mensal). Para acessar, o link é este aqui: http://www.febnet.org.br/blog/geral/pesquisas/downloads-material-completo/

Foi na edição de janeiro de 1866 da Revista Espírita, nas páginas 16 a 18, que encontrei o seguinte comentário, esclarecendo sobre as questões nº 200 e nº 201 de O Livro dos Espíritos:

Os sexos só existem no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão pela qual os sexos seriam inúteis no mundo espiritual. 

Os Espíritos progridem pelos trabalhos que realizam e pelas provas que devem sofrer, como o operário se aperfeiçoa em sua arte pelo trabalho que faz. Essas provas e esses trabalhos variam conforme sua posição social. Devendo os Espíritos progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos, cada um é chamado a concorrer aos diversos trabalhos e a sujeitar-se aos diferentes gêneros de provas. É por isso que, alternadamente, nascem ricos ou pobres, senhores ou servos, operários do pensamento ou da matéria.
[...]
É com o mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem poderá renascer mulher, e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e sofrer-lhes as provas.
[...]
Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e exigências que lhe impõe esse mesmo organismo. Esta influência não se apaga imediatamente após a destruição do envoltório material, assim como não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. Depois, pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja
marca nele ficou impressa. Somente quando chegado a um certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos. Os que se nos apresentam como homens ou como mulheres, é para
nos lembrar a existência em que os conhecemos.

Se essa influência se repercute da vida corporal à vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual à vida corporal. Numa nova encarnação ele trará o caráter e as
inclinações que tinha como Espírito; se for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado. Mudando de sexo, sob essa impressão e em sua nova encarnação, poderá conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres.

Não existe, pois, diferença entre o homem e a mulher, senão no organismo material, que se aniquila com a morte do corpo; mas quanto ao Espírito, à alma, ao ser essencial, imperecível,
ela não existe, porque não há duas espécies de almas. Assim o quis Deus em sua justiça, para todas as suas criaturas. Dando a todas um mesmo princípio, fundou a verdadeira igualdade. A d desigualdade só existe temporariamente no grau de adiantamento; mas todas têm direito ao mesmo destino, ao qual cada uma chega por seu trabalho, porque Deus não favoreceu ninguém à custa dos outros.

Sobre estas mesmas questões, deixo também um outro comentário publicado na Revista Espírita, desta vez, na edição de junho de 1862. Como o artigo é dividido em 3 partes (e a questão de nosso estudo foi publicada na terceira parte) vou apenas resumir que este trecho faz parte de um artigo que conta o falecimento de um membro da Sociedade Espírita de Paris, o Sr. Sanson, e sua posterior comunicação espiritual com o grupo. Esta parte que coloco abaixo foi publicado na edição de junho, nas páginas 244 e 245. Mas o início da história está publicada na edição de maio de 1862, na página 183, e recomendo a leitura.

Conversas Familiares de Além-Túmulo
SR. SANSON
(Sociedade Espírita de Paris, 25 de abril de 1862. Médium: Sr. Leymarie.
Terceira conversa (p. 244-245)

11. Os Espíritos não têm sexo. Entretanto, como há
poucos dias éreis homem, no vosso novo estado tendes de
preferência a natureza masculina que a feminina? Dá-se o mesmo com um Espírito que tivesse deixado o corpo há muito tempo?
Resp. – Não nos prendemos à natureza masculina ou
feminina: os Espíritos não se reproduzem. Deus os criou por sua vontade e se, na sua visão maravilhosa, quis que os Espíritos reencarnassem na Terra, teve de estabelecer a reprodução das espécies para o macho e a fêmea. Mas pressentis, sem que haja necessidade de nenhuma explicação, que os Espíritos não podem ter sexo.
Observação – Sempre foi dito que os Espíritos não têm
sexo; os sexos só são necessários para a reprodução dos corpos; como os Espíritos não se reproduzem, o sexo seria inútil para eles. Nossa pergunta não visava constatar o fato, mas, por causa da morte muito recente do Sr. Sanson, queríamos saber se lhe restava uma impressão de seu estado terreno. Os Espíritos depurados se dão conta perfeitamente de sua natureza; mas entre os Espíritos inferiores, não desmaterializados, muitos ainda se julgam como eram na Terra, conservando as mesmas paixões e os mesmos desejos. Estes ainda se crêem homens ou mulheres e por isso alguns disseram que os Espíritos têm sexo. É assim que certas contradições provêm do estado mais ou menos adiantado dos Espíritos que se comunicam; o erro não é dos Espíritos, mas daqueles que os interrogam e não se dão ao trabalho de aprofundar a questão.

Em um dos livros da coleção de André Luiz, o Evolução em dois mundos, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, encontramos no capítulo 24 algumas indicações sobre o tema em questão, conforme o trecho abaixo:

Linhas morfológicas dos desencarnados 

 - A que diretrizes obedecem as entidades desencarnadas para se apresentarem morfologicamente? 

 - As linhas morfológicas das entidades desencarnadas, no conjunto social a que se integram, são comumente aquelas que trouxeram do mundo, a evoluírem, contudo, constantemente para melhor apresentação, toda vez que esse conjunto social se demore em esfera de sentimentos elevados. 

A forma individual em si obedece ao reflexo mental dominante, notadamente no que se reporta ao sexo, mantendo-se a criatura com os distintivos psicossomáticos de homem ou de mulher, segundo a vida íntima, através da qual se mostra com qualidades espirituais acentuadamente ativas ou passivas. 
[...]
Ainda assim, releva observar que se o progresso mental não é positivamente acentuado, mantém a personalidade desencarnada, nos planos inferiores, por tempo indefinível, a plástica que lhe era própria entre os homens. E, nos planos relativamente superiores, sofre processos de metamorfose, mais lentos ou mais rápidos, conforme as suas disposições íntimas. 
Pedro Leopoldo, 27/4/58





Também gostaria de deixar indicada uma leitura importante, para ajudarmos a compreender a questão 202 e o comentário registrado por Kardec, que citam a possibilidade de um espírito renascer como homem em uma existência e numa posterior voltar como mulher (ou vice-versa). O pesquisador espírita Hernani Guimarães Andrade, em seus estudos sobre reencarnação, registrou fatos assim ocorridos. No livro Reencarnação no Brasil (clicando aqui, o download do livro começa automaticamente), foram registrados dois: O Caso Jacira & Ronaldo (Cap II) e O Caso Dráusio & Maria Aparecida (Cap VI).







Para encerrar, encontrei um vídeo bem curtinho em que o Alberto Almeida (palestrante espírita do qual gosto muito) fala sobre estas questões que tratamos no post de hoje. 


Por hoje é só... nos vemos em breve!