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domingo, 6 de janeiro de 2013

Anjos e Demônios

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 1: Dos Espíritos

A evolução é constante. Desde o átomo ao anjo, nas palavras de O Livro dos Espíritos, "...arcanjo, que também começou por ser átomo", conforme explicam os mentores espirituais em resposta à questão 540 (que está mais adiante, já que hoje estamos estudando as questões 128 até a 131).

Encontramos em Miramez, comentando a questão 129, no livro Filosofia Espírita III, essa questão da evolução dos anjos, que também foram criados por Deus simples e ignorantes.


Podemos comparar a linha evolutiva dos Espíritos, desde a sua formação a angelitude, como as vidas humanas, desde o berço ao tumulo. As diferenças são enormes entre os seres humanos, diferenças estas que partem da maturidade, que nunca é igual, do tempo de vida de cada ser. Os Espíritos, igualmente, são assim: eles se diferenciam pelo tempo. Certamente, os mais velhos carregam consigo maior número de experiências, e essas experiências lhes conferem despertamento mais seguro. Não negamos o livre arbítrio de todas as criaturas de Deus, porém, não podemos nos esquecer das suas limitações em todas as direções em que foram chamadas a viver.

Os Espíritos saem de Deus em forma de energia divina, dotados de todos os poderes, que pulsam na sua intimidade, como sendo segredos da Divindade, e percorrem todas as estações de aprendizado. Em cada uma desabrocham valores registrados pela eternidade, enriquecendo condições para que surja a razão como conquista da sua trajetória. Essa energia desce, experimentando todos os tipos de opressões ambientais, se intensificando em uma unidade grandiosa, para depois surgir o milagre da individualidade.

Já nos itens que se referem aos demônios, Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, dita uma mensagem esclarecedora. O texto está no livro Caminhos de Volta, no capítulo Considerações de Kardec, que é uma abertura feita pelo próprio Chico Xavier. A mensagem de Emmanuel vem a seguir e é intitulada Demônios e Exorcismo.
CONSIDERAÇÕES DE KARDEC
Francisco Cândido Xavier

Em várias conversações tivemos ocasião de comentar os noticiários da imprensa
sobre demônios e exorcismo. O assunto vem sendo muito debatido. E nós, também, num
grupo grande de companheiros, não escapamos às opiniões sobre essas ocorrências.
Acontece que, em nossa reunião pública, O Livro dos Espíritos nos ofereceu a
questão 131 para os estudos gerais e o nosso caro Emmanuel escreveu a página ”Demônios e
Exorcismo".
O nosso amigo espiritual trata do tema, expressando-se nas mesmas considerações
de Allan Kardec.


DEMÔNIOS E EXORCISMO
Emmanuel
Em vários setores da atualidade revive-se a figura do demônio, no estilo da Idade
Média, e articulam-se processos de exorcismo a fim de lhe conjurar a presença.
Entretanto, no assunto, vale revisar os conceitos kardequianos emitidos há mais de
um século.
Demônios, no sentido que a civilização corrente empresta ao vocábulo, não são seres
votados pela Sabedoria Divina à prática do mal, e sim espíritos humanos que se
desequilibraram em atitudes infelizes perante a vida. Podem estar domiciliados em faixas de
sombra do Mundo Espiritual, em correlação com o Plano Físico ou em núcleos residenciais da
Terra mesmo. Desencarnados e encarnados.
E, para entendermos o exorcismo, basta que nos detenhamos no estudo da hipnose e
do reflexo condicionado para recolher as melhores conclusões quanto ao poder da influência.
*
O homem sempre necessitou de apoiar-se em símbolos de amor e fé,  autoridade e
responsabilidade para facear com segurança as forças que se lhe conservam desconhecidas.
Tanto na paisagem terrestre, quanto na paisagem espiritual, seja no estágio físico ou
nos períodos de tempo, antes e depois da permanência no corpo de matéria mais densa, a
personalidade humana, em determinados degraus da estrada evolutiva, frenará os impulsos de
agressividade exagerada ou buscará encorajamento nas próprias fraquezas, em sinais e
palavras, imagens e sons que lhe recordem os dispositivos de  proteção mental a que
habitualmente se submeta ou recorra, nos lances das próprias experiências.
À vista disso, é fácil compreender que a pessoa humana, quando fora das leis de
harmonia e burilamento que nos regem os destinos, será sempre uma criatura de emoções
transitoriamente deterioradas, criando tribulações no lugar em que se encontre.
E, por outro lado, não é difícil perceber que o exorcismo, na base dos agentes
magnéticos e dos valores da memória, é sempre uma alavanca de emergência capaz de
remover influências infelizes.
Na raiz do problema, em suma, encontramos a necessidade de considerar os
chamados “espíritos das trevas” por irmãos verdadeiros, requisitando compreensão e auxílio a
fim de se remanejarem do desajuste para o reequilíbrio neles mesmos. Entendendo-se ainda
que o melhor e mais alto processo de transformá-los, em definitivo, será sempre a prática do
amor, através da qual todos nós, os espíritos em evolução no campo terrestre, estamos sendo
orientados, treinados, instruídos, educados e sublimados pela abnegação incessante dos Sábios
Angélicos da Espiritualidade, em nossa marcha progressiva para Deus.



Do livro “Na Era do Espírito”, psicografia de Francisco Xavier com comentários de Herculano Pires, vemos a outra ponta da evolução, ou seja, os espíritos angélicos, que já completaram as etapas inferiores e estão num patamar superior da espiritualidade. Mas neste comentário de Herculano Pires (que usa o codinome Irmão Saulo), observamos anjos e demônios são graus de evolução do homem:

RUMO A ANGELITUDE
Irmão Saulo

Nos termos da Doutrina Espírita, do demônio nasce o homem e do homem nasce o anjo.  Estamos todos no rumo da angelitude.  Nossa humanidade (nossa natureza humana) caracteriza-se pela imperfeição, pelo predomínio dos instintos, pelos resíduos da animalidade ainda atuantes em nossa constituição psicossomática.
Mas esses resíduos vão sendo eliminados na lapidação das vidas sucessivas.  E como somos conscientes do
processo de lapidação a que estamos sujeitos, podemos e devemos ajudar esse processo.  Basta um olhar atento ao nosso redor para verificarmos a realidade dessa concepção.  As criaturas humanas
estão dispostas numa escala progressiva que vai do bandido ao santo.  O malfeitor de hoje será o cidadão
honesto do futuro.  E este, por sua vez, será o santo de amanhã, dependendo esse amanhã, em grande parte, do esforço evolutivo do interessado.  Porque o ser consciente apressa ou retarda a sua própria evolução.
 O chamado para o serviço do bem é a oportunidade que Deus oferece à criatura imperfeita para acelerar a sua caminhada rumo à perfeição. Quem não aproveita a  oportunidade divina, apegando-se por comodismo ou displicência aos seus defeitos, desculpando-se com as imperfeições  naturais que ainda carrega, furta-se ao cumprimento do dever espiritual.  Mas as leis da evolução não o deixarão parado por muito tempo.  Por isso ensinou Jesus: "Quem se apegar à sua vida perdê-la-á, mas quem a perder por amor a mim salvá-la-á".

 O comodista será sacudido e alijado do seu comodismo,  mais  hoje,  mais  amanhã,  pela  vergasta  da  dor.  O sofrimento é tão grande na Terra porque maior é o comodismo dos homens.  A seara continua imensa e os trabalhadores ainda são tão poucos! Não somos anjos para ser perfeitos e puros, mas trazemos em nós as potencialidades da angelitude.  Se não acelerarmos a nossa lapidação pelo serviço, o lapidário oculto - e que está oculto em nós mesmos - agirá como convém para completar a sua obra.

Finalmente, achei bem esclarecedora essa o tema do Programa Transição (abaixo) e achei bacana incluir aqui. O entrevistados é Geraldo Campetti Sobrinho, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), eleito em março de 2012. Ele também é coordenador da Comissão Editorial da FEB Editora e responsável pela Biblioteca de Obras Raras e Museu da Federação, que ficam em Brasília. 



Para encerrar, algumas obras baseadas na Escada de Jacó, que segundo a Bíblia, foi vista por Jacó durante um sonho e por ela caminhavam anjos. Segundo tradições iniciáticas da antiguidade, esse seria o caminhos da evolução das almas. Até o próximo post e um maravilhoso 2013 para todos nós!

William Blake 






Partiu, pois, Jacó de Berseba, e foi a Harã;

E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.

E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela 

Gênesis 28:10-12






Michael Willmann



Esta escada, tão marcante para a história do povo judeu, encontra o seu análogo em todas as antigas iniciações.
Seja ela uma coincidência, ou uma teoria; ou se derivado de uma base comum de simbolismo, é certo que a escada como um símbolo de progresso moral e intelectual existia quase universalmente, apresentando-se como uma sucessão de degraus, ou portões, ou modificada de alguma outra forma.

(Fonte: Wikipedia)

Gustave Doré





O número de degraus variava, embora o favoritismo tenha recaído sobre o número sete, provavelmente devido ao caráter mistico deste número aceito em quase todos os lugares.

(Fonte: Wikipedia)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Progressão dos espíritos

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 1: Dos Espíritos

O progresso ou mesmo evolução dos Espíritos são tratados nesse capítulo. O primeiro comentários que separei foi uma mensagem de Emmanuel, psicografado pelo Chico Xavier, e que pode ser encontrada no livro Religião dos Espíritos. O texto faz uma abordagem da primeira pergunta - nº 114 - desse nosso interítulo em estudo:


Ou seja, depende mesmo de nós. Não adianta querer jogar para outros a responsabilidade do nosso progresso ou estacionamento em uma determinada dificuldade. E como responsabilidade lembra estarmos conscientes do que fazemos, segue uma mensagem de Joanna de Ângelis, por meio do médium Divaldo Franco, que pode ser encontrada no livro Momentos de Consciência:








Em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Leon Denis trata de uma questão importantíssima quando falamos em progresso espiritual: o livre-arbítrio: Selecionei alguns trechos do capítulo "Livre-arbítrio" que são uma ótima fonte de estudos e meditação para nós. 


Leon Denis, por volta dos 50 anos
A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forças ambientes; a noção de moralidade é inseparável da de liberdade.


Denis e sua mãe
A luta entre a matéria e o espírito tem precisamente como objetivo libertar este último cada vez mais do jugo das forças cegas. A inteligência e a vontade chegam, pouco a pouco, a predominar sobre o que a nossos olhos representa a fatalidade. O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência. Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões inferiores, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão.




Nesta foto, Denis aos 30 anos...
[...] cada um daqueles sistemas partia do dado inexato de que o ser humano tem a percorrer uma única existência. A questão muda, porém, inteiramente de aspecto ao se alargar o círculo da vida e se considerar o problema à luz que projeta a doutrina dos renascimentos. Assim, cada ser conquista a própria liberdade no decurso da evolução que tem de perfazer.




...e aqui já aos 79 anos.
O futuro aparece-lhe então, não em seus pormenores, mas em seus traços mais salientes, isto é, na medida em que esse futuro é a resultante de atos anteriores. Esses atos representam a parte de fatalidade ou “a predestinação” que certos homens são levados a ver em todas as vidas. São simplesmente, como vimos, efeitos ou reações de causas remotas. Na realidade, nada há de fatal e, qualquer que seja o peso das responsabilidades em que se tenha incorrido, pode-se sempre atenuar, modificar a sorte com obras de dedicação, de bondade, de caridade, por um longo sacrifício ao dever.







E o autor resume o capítulo com uma frase:

“O homem é o obreiro de sua libertação.” 


No livro Nosso Lar, no capítulo Continuando a palestra, dona Laura e André Luiz conversam sobre os primeiros anos da família de Lísias na colônia. E dona Laura dá um exemplo de tudo isso que temos aprendido nesse intertítulo de O Livro dos Espíritos, com exemplos de vida e de situações que ela mesma passou na sua última encarnação:


"Minhas lutas na viuvez haviam sido intensas. Muito moça ainda, com os filhos tenros, tive de
enfrentar serviços rudes. A custa de testemunhos difíceis, proporcionei aos rebentos
de nossa união os valores educativos, de que eu podia dispor, habituando­os, porém,
muito cedo, aos trabalhos árduos. Compreendi, depois, que a existência laboriosa me
livrara das indecisões e angústias do Umbral, por colocar­me a coberto de muitas e
perigosas tentações. O suor do corpo ou  a preocupação  justa, nos campos de
atividade honesta, constituem valiosos recursos para a elevação e defesa da alma."
[...]
Após ligeiro intervalo, em que parecia meditar, minha interlocutora
prosseguiu em tom grave:
– "Mas a esfera do globo nos esperava. Se o presente estava cheio de alegria,
o passado chamava a contas, para que o futuro se harmonizasse com a lei eterna.
Não podíamos pagar à Terra com bônus-­hora e sim com o suor honrado, fruto de
trabalhos. Dada a nossa boa­-vontade, aclarava­-se-­nos a visão, relativamente ao 
pretérito doloroso. A lei do ritmo exigia, então, nossa volta."
Aquelas afirmativas causavam­me viva impressão. Era a primeira vez que
se feria tão fundo aos meus ouvidos, na colônia, o assunto referente a encarnações pregressas.


Mas a continuação da conversa envereda para um outro tema, que iremos ver nos próximos posts, que são a reencarnação e sua justiça.

Por agora é só. Vou encerrando com uma frase que li em O Pica-pau Amarelo, do Monteiro Lobato e que serve também para nossos estudos. 

Vovó diz que ainda é cedo - que há uma leitura para cada idade. (diz Pedrinho)

Dona Benta era mesmo uma vovó sábia!!! É isso mesmo, cada ensinamento para cada idade espiritual. Ou não estaremos pronto para aquele aprendizado. E aqui vai também minha homenagem ao grande Monteiro Lobato e à primeira produção de O Sitio do Pica-Pau Amarelo, que eu assistia quando era criança, e cujas imagens ficaram em minha memória como os verdadeiros personagens dos livros. Até mais!

sábado, 8 de setembro de 2012

Primeira ordem - Espíritos Puros

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 1: Dos Espíritos

Relendo o livro Paulo e Estevão encontrei uma passagem que cai bem no comentário de hoje, sobre os Espíritos Puros. Neste trecho do livro, Paulo (ou melhor, Saulo, porque ele ainda não tinha adotado um novo nome), em oração, desligou-se do corpo físico e entrou em contato com dois espíritos das altas esferas - Estevão, o primeiro mártir do cristianismo, e Abigail, irmã deste. Não vou entrar em detalhes porque incentivo a todos que leiam (ou releiam, como eu). Mas segue o trecho:

Quis aproximar-se, oscular as mãos de Estevão, rogar perdão para o nefando passado, mas foi o mártir do “Caminho” que, na luz de sua ressurreição gloriosa, aproximou-se do ex-rabino e o  abraçou efusivamente, como se o fizesse a um irmão amado. Depois, beijando-lhe a fronte, murmurou com ternura: 
— Saulo, não te detenhas no passado! Quem haverá, no mundo, isento de erros? Só Jesus foi puro!...

E, pedindo uma orientação ao espírito Abgail, Saulo tenta formar um roteiro de vida para seguir Jesus. Acho que essas indicações servem para todos, apesar da dificuldade em segui-las:

Que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo? 
— Ama! — respondeu Abigail espontaneamente.

O romance Paulo e Estêvão, lançado em julho de 1942,
ganhou uma edição comemorativa relativa aos 70 anos
 da obra (detalhe do estande da FEB na Bienal do Livro
 de 2012, em São Paulo)

Como fazer para que a alma alcançasse tão elevada expressão de esforço com Jesus-Cristo? 
— Trabalha! — esclareceu a noiva amada, sorrindo bondosamente.
Abigail tinha razão. Era necessário realizar a obra de aperfeiçoamento interior.

Que providências adotar contra o desânimo destruidor? 
— Espera! — disse ela ainda, num gesto de terna solicitude, como quem desejava esclarecer que a alma deve estar pronta a atender ao programa divino, em qualquer circunstância, extreme de caprichos pessoais. 
Ouvindo-a, Saulo considerou que a esperança fora sempre a companheira dos seus dias mais ásperos. Saberia aguardar o porvir com as  bênçãos do Altíssimo. Confiaria na sua misericórdia.

Como conciliar as grandiosas lições do Evangelho com a indiferença dos homens?

Abigail apertou-lhe as mãos com mais ternura, a indicar as despedidas, e acentuou docemente: 
— Perdoa!... 

Em seguida, seu vulto luminoso pareceu diluir-se como se fosse feito de fragmentos de aurora. 
Empolgado pela maravilhosa revelação, Saulo viu-se só, sem saber como coordenar as expressões do próprio deslumbramento. Na região, que se coroava de claridades infinitas, sentiam-se vibrações de misteriosa beleza. Aos seus ouvidos continuavam chegando ecos longínquos de sublimes harmonias siderais, que pareciam traduzir mensagens de amor, oriundas de sóis distantes...

Miramez, na sempre lembrada obra Filosofia Espírita, psicografada por João Nunes Maia, ensina mais sobre os espíritos puros em dois capítulos do vol. III. Selecionei dois trechos para nosso estudo, em que Miramez explica que os Espíritos Puros:

Já reuniram toda as experiências e são dotados da mais pura moral,
da mais profunda filosofia e da mais elevada ciência;
têm domínio sobre todas as coisas e a natureza lhes obedece,
por conhecerem todas as leis que governam e dirigem a criação.
[...]
O Cristo foi um desses que pisou na Terra, por misericórdia do Pai Celestial,
cuja filosofia espiritual confundiu até aos mais sábios de sua época,
por mostrar e viver conceitos nunca antes vistos e vividos. Essa herança divina
nos trouxe uma esperança grandiosa, porque nos mostrou os caminhos
por onde deveremos passar para alcançar a felicidade.

Com essa leitura, é impossível não lembrar de duas passagens do Novo Testamento:


Vasiliy POLENOV, 1896 
E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.
E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.
E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.
E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?
E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia. 
(Lucas 2:46-50)


Arnold FRIBERG
E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num barco com seus discípulos, e disse-lhes: Passemos para o outro lado do lago. E partiram.
E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se de água, estando em perigo.
E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança.
E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem? 
(Lucas 8:22-25)


Por último, deixo com vocês uma mensagem de Emmanuel, obtida pelo médium Chico Xavier.


Até a próxima!!!

domingo, 2 de setembro de 2012

Segunda ordem - Bons Espíritos

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 1: Dos Espíritos

Estava pensando em quais mensagens poderiam ilustrar nosso estudo de hoje e lembrei de um texto que li na revista Espíritta, de maio de 1959, que mostra a transformação de um espírito para o bom caminho. A mudança é lenta mesmo, mas quando o espírito se conscientiza, a mudança é certa e o socorro dos espíritos superiores nunca falta. O artigo chama-se Cenas da Vida Privada Espírita (aqui está o texto completo) e é bastante instrutivo!

Mas entrando no tema, encontrei na edição de setembro de 1959, também da Revista Espírita, como Allan Kardec detalha algumas características dos bons espíritos e de suas comunicações e assinalei alguns trechos:

Cena do filme Nosso Lar: quando André Luiz chegou à colonia,
o governador já estava em seu 114º ano de administração.
Só mesmo um bom espírito para atingir essa marca...
1. Os Espíritos superiores, como já dissemos em várias ocasiões, têm uma linguagem sempre digna, nobre, elevada, sem qualquer mistura de trivialidade. Dizem tudo com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam e não fazem ostentação de seu saber nem de sua posição entre os demais.
[...]

2. Os Espíritos bons não dizem senão o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre aquilo que não sabem.
[...]

4. Os Espíritos bons jamais dão ordens; não impõem: aconselham e, se não são ouvidos, retiram-se. Os maus são imperiosos: ordenam e querem ser obedecidos. Todo Espírito que impõe trai a sua origem.

5. Os Espíritos bons não adulam. Aprovam quando se faz o bem, mas sempre com reservas; os maus são pródigos em elogios exagerados, estimulam o orgulho e a vaidade, mesmo pregando a humildade, e procuram  exaltar a importância pessoal daqueles a quem desejam apanhar.

Cena do filme Nosso Lar: exceto o governador, ministra Veneranda
foi o único espírito da colônia que já viu Jesus nas Esferas
Resplandecentes. Sem dúvida, outro exemplo de Bom Espírito!
6. Os Espíritos superiores estão acima das puerilidades formais em todas as coisas; para eles o pensamento é tudo, a forma nada vale. 

9. Os Espíritos bons são muito escrupulosos sobre as providências que podem aconselhar; em todos os casos estas têm sempre um objetivo sério e eminentemente útil.
[...]

10. Os Espíritos bons só prescrevem o bem. Toda máxima, todo conselho que não estiver estritamente conforme a pura caridade evangélica não pode ser obra de Espíritos bons; acontece o mesmo com toda insinuação malévola, tendente a excitar ou a alimentar sentimentos de ódio, de ciúme e de egoísmo.




Também Emmanuel, em uma comunicação de 1960, pelo médium Chico Xavier, fala sobre os bons espíritos. Esta mensagem retirei da revista Reformador, de fevereiro de 1961, disponível no site da Federação Espírita Brasileira:


E também lembrei uma passagem do do livro Obreiros da vida eterna, da obra de André Luiz, que está no capítulo 3. Nesse trecho, podemos ver que os espíritos elevados não são de desperdiçar tempo ou palavras. Eles falam pouco, mas a mensagem é para pensar pelo resto da vida! O capítulo descreve a preparação para se receber um espírito das altas esferas que daria alguns conselhos a grupos de trabalho que iriam seguir em tarefa na Terra. A página 54 (abaixo), começa com com uma pergunta a esse mentor, feita por um dos um dos líderes de um dos grupos:



Depois desse encontro, o instrutor de André Luiz explica quem é esse mentor das esferas elevadas, cujo nome é Asclépios. Coloquei esse trecho só para termos ideia das categorias mais elevadas da ordem dos Bons Espíritos: 



E, para encerrar, também acrescento que, mesmo entre os espíritos nobres, a evolução continua num ritmo e num alcance que é difícil concebermos. Até sublinhei os trecho que achei mais interessantes! Vejam, como o instrutor ainda esclarece André Luiz:


Acho que por hoje temos material suficiente para refletir. Até o próximo post!





terça-feira, 14 de agosto de 2012

Terceira ordem - Espíritos imperfeitos

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 1: Dos Espíritos

Filosofia Espírita vol. III:
muito bom estudar com Miramez
Para quem gosta de ler os livros do Miramez, com psicografia de João Nunes Maia, segue uma novidade que descobri estes dias. O site O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez disponibiliza os textos de toda a coleção Filosofia Espírita. Nem acreditei quando vi porque está difícil encontrar tanto os livros digitalizados quanto os tradicionais - as livrarias que conheço não tem para vender! Uma pena, porque essa obra é apenas maravilhosa. Também deixo com vocês o link para download do Filosofia Espírita vol. III, que disponibilizei no Slide Share, para ser consultado a partir da pergunta 103 do Livros dos Espíritos, que disserta sobre os Espíritos Levianos, e que está neste item do Livro dos Espíritos.

Aproveitando estas dicas, inicio o estudo com dois trechos do livro acima citado, comentando sobre Espíritos Imperfeitos:

Essa classe de Espíritos a que O Livro dos Espíritos chama de Espíritos imperfeitos, é de uma extensão imensurável na Terra. Dela fazem parte tipos diferentes de entidades, com sentimentos variáveis do mal. Desde o brincalhão até o belicoso, que ora faz parte de todos os movimentos das armas em todo o mundo, investidos com a capa de defesa e de justiça. Pode-se observar que, de vez em quando, aparecem na mente pensamentos indesejados, que o bom senso fala não terem nascido dos próprios sentimentos. Eles vêm de alguma classe desses Espíritos inferiores, porque lhes sobra muito tempo e a prática lhes desenvolveu a razão, para a perturbação na comunidade da Terra. Ignoram que são sementes que eles deverão colher mais cedo ou mais tarde, no mesmo ambiente em que semearam. Pelos pensamentos que surgirem na mente, pode-se portanto, analisar de onde eles vieram, qual a fonte que os estruturou...

A Terra passa por um período de provações difíceis, por estar sob a influência der Espíritos trevosos, em quantidades maiores que os Espíritos bons, da segunda classe. Mas, os bons, mesmo em menor número, sairão vitoriosos, e a casa terrena passará a ser dirigida por eles, com intuição dos Espíritos angélicos. O raciocínio dos Espíritos ignorantes é de que tudo morre com o corpo, que não há proteção espiritual para a humanidade, que cada criatura menor vive sob a agressão da maior, que Deus, se existe, não tem tempo de olhar tudo que criou, e assim sucessivamente. São ideias de Espíritos que desconhecem a realidade da vida espiritual, devido às faixas em que vivem.

E para ilustrar, lembrei de uma passagem de um dos livros da coleção de André Luiz, psicografada por Chico Xavier: E a vida continua (este link leva ao site da loja virtual da Federação Espírita Brasileira - FEB -, onde estão disponíveis para leitura o primeiro capítulo de várias obras). Aliás, essa coleção vale a pena ler inteirinha pois é uma fonte incrível de ensinamentos. O trecho abaixo foi retirado do capítulo 13, Tarefas Novas (para aumentar o tamanho, clique sobre a imagem):






Também no livro Libertação, do mesmo autor espiritual, encontramos várias categorias de espíritos imperfeitos, como destacou Allan Kardec entre os itens 102 e 106 de O Livros dos Espíritos, especialmente no capítulo Numa cidade estranha, em que a equipe de benfeitores espirituais passa algumas horas em uma cidade do umbral, devido a um trabalho de socorro que está sendo realizado.

Para encerrar, e já que citamos o livro E a vida continua, vale lembrar que em 14 de setembro (em menos de um mês) estreia o filme E a vida continua... (visite o site oficial do filme em http://www.eavidacontinuaofilme.com.br). Como estou ansiosa para ver, deixo com vocês o trailer do filme... só para dar água na boca! Até mais.





quarta-feira, 18 de julho de 2012

Escala espírita

Parte Segunda: Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos - Capítulo 1: Dos Espíritos

Neste item de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec faz um comentário mais longo sobre as ordens de espíritos, baseado no item anterior, onde os espíritos mentores do trabalho de Kardec responderam a perguntas sugeridas pelo codificador.

Para não ficar muito repetitivo e parecido com o post anterior, achei interessante procurar algumas histórias contadas pelos próprios espíritos. Para isso, usei dois livros: Vozes do Grande Além (Espíritos Diversos/Chico Xavier) e Diálogo com as Sombras (Hermínio Miranda). No caso dos espíritos puros, selecionei uma mensagem que descreve um pouco do perfil dessa classe de espíritos iluminados, publicada no livro Momentos de Coragem (Joanna de Ângelis/Divaldo Franco) e uma mensagem do Espírito de Verdade, que consta de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Em Diálogo com as Sombras, Hermínio Miranda descreve várias experiências que teve durante trabalhos de desobsessão, agrupando os perfis dos espíritos que ele observou. Escolhi um desses relatos para ilustrar os espíritos de terceira ordem:

OS JURISTAS
Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras, tão
compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. São os terríveis juristas do Espaço.
“Estes também — diz o artigo já citado, em “Reformador” de fevereiro de
1975 —, autoritários e seguros de si, exoneram-se facilmente de qualquer
culpa porque, segundo informam ao doutrinador, cingem-se aos autos do
processo. Na sua opinião, qualquer juiz terreno, medianamente instruído,
proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. Todo  o formalismo
processualístico ali está: as denúncias, os depoimentos, as audiências, os
pareceres, os laudos, as perícias, os despachos e, por fim, a  sentença —
invariavelmente condenatória. E até as revisões, e os apelos, quando previstos
nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor, se desorientam).”
São também impessoais e frios aplicadores das “leis”.
Um desses juizes deu-me a honra de trazer, para argumentar comigo, os
autos do processo. Abriu sobre a mesa o caderno, invisível a mim, e começou
a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido, desde o
desencaminhamento de jovens inexperientes, até assassinatos.  Só depois,
pobre irmão, foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo!
Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos,
coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. Quando pediu ao
contínuo que lhe passasse os autos, este lhe deu a documentação errada. .. O
engano foi, aliás, seu mesmo, porque o bedel lhe dera  primeiro um dos
processos, e ele, em tom áspero e imperioso:
— Não é este, é o outro!
O “outro” era o dele!
Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”, como
também autos já arquivados, com sentença proferida, em caso que, segundo
este jurista invisível, eu havia apelado.

Um parênteses: gostaria de destacar o trabalho excelente feito pela Federação Espírita Brasileira ao disponibilizar o acervo digital da revista O Reformador, dos anos de 1955 até 2010. Recomendo a todos uma visita e pesquisa. Eu mesma encontrei um artigo incrível da querida médium Yvonne Pereira ("Um caso de reencarnação: eu e Roberto de Canallejas) e que já estava procurando há um tempão. Parabéns à FEB.

Mas retomando o assunto, segue outro exemplo de espírito de terceira ordem, só que já arrependido e voltando para o caminho do bem. O depoimento espiritual foi registrado por Chico Xavier e publicado no livro Vozes do Grande Além, sob o título de Enterrado Vivo:





Também no livro Vozes do Grande Além, sob o título de Companheiro de Regresso, temos um caso do que poderíamos chamar de espírito de segunda ordem:



Como temos observado, as categorias organizadas por Kardec incluem muitas sub-categorias, já que dependem da evolução espiritual de cada um. Do livro Momentos de Coragem, Joanna de Ângelis, por intermédio de Divaldo Franco, traça as características dos espíritos benfeitores que nos acompanham e orientam. Acredito que estes espíritos ainda fazem parte da segunda ordem de espíritos:


Para a primeira ordem, a dos espíritos puros, selecionei uma mensagem que consta do Evangelho Segundo o Espiritismo, que está no item 7 do capítulo VI, O Cristo Consolador, assinada pelo Espirito de Verdade:

Sou o grande médico das almas e venho trazer­vos o remédio que vos há de curar.
Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá­ 
los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e
consolados. Não  busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é
impotente para dá­las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio 
do Espiritismo. Escutai­o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade,
a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam o vosso  mais puro 
sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e
submissos ao Criador, pratiqueis a sua lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos
Espíritos do Senhor; invocai­o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará
o seu Filho bem­amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis­me aqui;
venho até vós, porque me chamastes.
O Espírito de Verdade (Bordéus, 1861)

O assunto ainda não se esgotou. Mas por hoje é isso. Espero que gostem da apresentação que coloquei para encerrar o post, com o perfil do mais puro espírito que já esteve em nosso plano físico. Até mais!


Ou, se quiserem escutar a música (Recomendo!):